All rights reserved, Mide Plácido 

BIO/CV

 
 

 

 

Mide Plácido, trabalha com possibilidades de desafiar sentido e pensamentos. Mediado por Fotografia, Instalação e Objetos o seu trabalho foca-se em temas que tocam a natureza humana e questões de ordem socioculturais do dia a dia, na atualidade .

Na sua obra, que cruza conceitos como Fotografia e Identidade, Mide Plácido tenta desembrulhar   ligações que estabelece nas suas pesquisas, refletindo e interrogando,  ao mesmo tempo, sobre quem somos nós no dia a dia, numa sociedade mediatizada como a de hoje que, a seu ver, empurra em diferentes direções e todos os dias ensina a ser.

Na ansia constante de tornar visível o que está para além do que os olhos podem ver, o seu trabalho  surge em modo montagem de ideias , de emoções, de pensamentos, acopladas de informações coletadas nas suas investigações e, se por acaso o seu trabalho  evocar algo mundano, é mesmo esse o seu propósito.

Vive e trabalha em Cantanhede/Coimbra, Portugal.Graduada em Artes Plásticas pela EUAC (Escola Universitária das Artes de Coimbra). Frequentou o Mestrado em Criação Artística Contemporânea, pela Universidade de Aveiro. Participa, regularmente, em projetos provenientes de várias áreas, na procura quer do enriquecimento da sua prática artística, como de oportunidades de diálogo e de reflexão temáticos que, de alguma forma, possam desencadear processos artísticos estimulantes. Expõe, com alguma regularidade dentro e fora do país, em mostras individuais e coletivas, desde 1998.

Exposições / Exhibitions

​Galeria 7, Coimbra, Portugal, 2018 (colective Exhibition)

Alte Feuerwache cinema all (videoevent BLUE HOUR VIII) , Cologne, Germany, 2018​

Laboratório de Actividades Criativas, Lagos, Portugal, 2018

​Galeria 7, Coimbra, Portugal, 2017 (colective Exhibition)

Museu da Luz, Portugal​, 2017

Galeria School of Visual Artes, New York, 2017 (Colective Exhibition Unit and Division)

Museu da Imagem, exposição Pensar Barroco, Braga - Portugal, 2017 ( Exhibition  Project Art Map)
Museu do Douro, Régua - Portugal, 2017 (Colective Exhibition Unit and Division)
Galeria FF Fotofestiwal Lodz - Poland, 2017(Colective Exhibition Unit and Division)
Galerie Seidel, Koll, - Germany, 2017 (Individual Exhibition Je suis Lo)
Centro Português de Fotografia, Porto - Portugal, 2017 ( Exhibition Unit and Division, CICLO)

​Galeria 7, Coimbra, Portugal, 2016 (colective Exhibition)

aleria do Mosteiro de Santa Clara, Coimbra - Portugal, 2016 (S exhibition Ideias Inquietas e matéria agridoce)
Galeria da Capitania de Aveiro - Aveiro, 2015 (Colective Exhibition Project Art Map)
Museu Municipal Santa Joana, Aveiro - Portugal, 2014 (Colective Exhibition)
Galeria Bobogi, Aveiro - Portugal, 2010 (Individual  exhibition De resto II )
Casa da Cultura de Cantanhede, Cantanhede - Portugal, 2009 (Solo  exhibition De resto)
Galeria das Antas, Porto, 2006 (individual exhibition);
Museu Militar de Macau – Macau/China, 2004 (pela Galeria 57, Leiria);
Galeria 57, Leiria Portugal, 2003 (Colective Exhibition)
Glasgow Art Fair - Scotland, 2003 pela Galeria Braço de Prata, Lisboa (Colective Exhibition);
Galeria Braço de Prata, Lisboa, 2003 (individual exhibition;
Museu Municipal Santos Rocha, Figueira da Foz, 2002 (Individual Exhibition)
XI Bienal internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira - Portugal; 2001;
Galeria Municipal de Aveiro - Portugal, 2001 (Individual Exhibition)
Galeria Municipal Almedina, Coimbra, 2000 (Individual Exhibition)
X Bienal internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira - Portugal, 1999;
Fundação Cupertino de Miranda, Vila Real - Portugal,1998 (Colective Exhibition)     
Colecções / Collections
Fundação Cupertino de Miranda.
Bombeiros Voluntários de Cantanhede.
Prémios / Awards
Menção honrosa Fundação Cupertino de Miranda, 1998
Publicações / Publications 
Edição de autor, Grab them by the pussy, 2017
Catálogo Art Map, 2016
Bombart 06, 2009
Catálogo, exposição individual Galeria das Antas, 
Catálogo XI Bienal internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira; 2001
Catálogo X Bienal internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira, 1999
Catálogo III Bienal de Arte de Vila Real, 1998     
Online
Ideias Inquietas e Matéria Agridoce @Mutante 
@Lensculture

Outros / Others

Num espaço branco, as manchas do corpo deixam lugares vazios onde se anuncia uma espécie de solidão. É a ausência do corpo inteiro que murmura a sua solidão. Um lugar que mostra o adorno para se esconder. Onde está o chão do corpo, se o corpo é só suporte onde se expõem outros sentidos? Há um eclipse quando a matéria excessiva dos artifícios esconde a luz da alma.

Rui Miguel Fragas

In a white surface, stained by an absent body, hollow spots foretell loneliness. It is the absence of the body as a whole that hums isolation, a place adorned for hiding. Where is the foot of the body, if the structure itself is the only basis for holding the other senses? There is an ebb when artificial matter overwhelms the light of the soul.

Rui Miguel Fragas, 2017

(Tradução: Maria Clara Maia)

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"Esteve patente na galeria de exposições temporárias do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha uma proposta de Mide Plácido, intitulada Ideias inquietas e matéria agridoce, que permaneceu do dia 13 de Maio a 12 de Junho de 2016. Deixámo-nos enredar na sua fina trama.

Uma sala branca, com duas janelas largas que se confrontam; restam duas paredes igualmente largas, para os despojos que nos são propostos por Mide Plácido, em forma de contraponto.

“O que é ser mulher hoje em dia?” questiona-se a artista, e questiona-nos também. Segundo Simone de Beauvoir, aquando de O Segundo Sexo, obra de meados do século XX, uma mulher define-se, à partida, exactamente por sê-lo; que um homem inicie por afirmar ser homem, será excrescente. Portanto, tal indagação parece apontar para uma elipse que enreda, e sobrevive civilizacionalmente. A partir de tal perplexidade pode iniciar a viagem.

E a onde nos leva? Segundo a Mide Plácido, a uma dupla crucificação; assim, o do fragmento do vivido e a da representação de si. Começamos por esta.

Uma instalação parietal composta essencialmente por fotografias de uma mulher da qual nunca se conhece o rosto; o único rosto a incorporar-se será o do/a espectador/a, através de um espelho centralmente disposto e em que se lê: “Eu estou aqui”, numa espécie de voragem vertiginosa. Buraco negro, ainda que aponte para o exterior, o espelho tanto fotografa momentaneamente, como incorpora a identidade de quem espreita, como difere, temporalmente, a obra. Alude-se, entretanto, à celebrada Intuition feminina, como se de uma ara se tratasse; o perfume da dúvida. Pelo caminho podem ainda ler-se, em molduras vazias de fotografia, “pecado”, “dona”, “preconceitos do avesso” e uma reflexão de Arnaldo Antunes e Gilberto Gil quanto às coisas que “não têm paz”. Na cabeça da mulher, e em lugar do rosto, a deflagração das coisas, que “não têm paz”.

Já na parede do lado oposto, o fragmento do vivido, localizando, de forma precisa: o olhar, a segunda pele, a educação sentimental e a tentação. Assim, de como reverberamos a visão através de lentes secundárias; de como a experiência se cola à pele e encorpa; de como, em ocasião de alva brancura, as mulheres se instruem; por fim, ou do início, o conhecimento enquanto possibilidade.

O contraponto repete-se a seguir, com uma pequena estatueta de Nossa Senhora a confrontar a fotografia de uma mulher, ou de um homem, coberto por uma colcha de renda. Mide Plácido, assim, e como se propõe, reflecte sobre o que é ser mulher; aqui, neste tempo, e no outro, o da construção do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Convém aqui relembrar que este mosteiro foi durante largo tempo ameaçado pelos Crúzios, que obstavam à sua edificação; esta obteve da Rainha Santa Isabel impulso decisivo. Viúva de D. Dinis, Isabel de Aragão haveria de fixar residência nos Paços de Santa Clara, cujo mosteiro se tornou então palco de uma comunidade de clarissas; embora nunca tenha professado, Isabel usou o hábito e adoptou a frugalidade dos seus princípios orientadores de vida.

O que mudou? Descubra as diferenças. Efectivamente, as mulheres, tal como Adrienne Rich o disse já, perspectivam-se essencialmente a partir do corpo, numa política de localização precisa. Tal perspectivar há-de relacionar-se com uma herança histórica de alguma evidência, ponto de fuga da imanência em que se situaram, e foram muitas vezes situadas. Sendo a época em que permanecemos, como se pensa tanto, um ponto de chegada, mas não de fim, e em que se procede a avaliações infinitas; será compreensível irmos encontrar o feminino numa espécie de entrincheiramento corpóreo, como se toda uma energia secular se concentrasse, em implosão, no si.

Então, é como se as mulheres, genericamente, tivessem “engolido” uma máquina do tempo e pretendessem, portanto, gravitar em torno dos dias; mas os dias da História deixaram tantas horas esquecidas no feminino… O umbigo da História não é construído por nós: nascemos e não sabemos logo, apenas mais tarde, quando nos contam. Todavia, às mulheres cabe dançar sobre o umbigo da História. Sim, em ordem à revelação e transfiguração do tempo.

E convidar os homens. Maria Gabriela Llansol avisa que, até aos dias de hoje, as relações entre mulheres e homens foram essencialmente governadas pelo crime e pela vassalização. Cumpre-nos disso ter consciência."

  Cláudia Ferreira, 2016

Nota: uma primeira versão deste texto foi publicada na Mutante Art, Culture & Lifestyle Magazine.

http://mutante.pt/2016/06/ideias-inquietas-e-materia-agridoce-mide-placido/#.WRv62lPytE4

 

RESTLESS IDEAS AND BITTER-SWEET MATTER 2016

'Presented to the public in the room of temporary exhibitions in Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra, Portugal, the work by Mide Plácido Restless Ideas and bitter-sweet matter (Ideias inquietas e matéria agri-doce), stayed open from May 13 to July 12, 2016. We were seduced by its exquisite thread.

A white room, with two wide windows on opposite sides and two large walls where the spoils presented by Mide Plácido form a counterpoint.

'What does it mean to be a woman, today?', asks the artist, also questioning, directly. According to Simone the Beauvoir, in her book Le Deuxième Sexe, written in the middle of the Twentieth Century, a woman defines herself by being herself, therefore the man who states to be a man undertakes a vain action.

So, such a questioning seems to point to an ellipse that threads and survives in terms of civilization. The voyage begins with that perplexity.

And, where does it take us? According to Mide Plácido, to a double crucifixion of the fragment of what was lived and of the representation of the self. Let us begin by the latter.

It is a wall installation composed essentially of photographs of a woman whose face never appears. In fact, the only visible face is the face of the visitor, reflected by a central mirror where the phrase 'I am here' can be read, in a sort of voracious vertigo. A black hole, open to the outside, photographs momentarily  as much as it embodies the identity of he who peeps, at the same time creating a temporary switch, in the work. It is also a reference to the so called Woman's Intuition as sort of altar, the scent of doubt. As one visits the exhibition, one can also encounter empty frames with the words: 'sin', 'owner', 'prejudices upside down' and a thought by Arnaldo Antunes and Gilberto Gil who talk about 'things that find no peace': 'In the head of the woman, instead of a face, the decaying of the things that find no peace'.

On the opposite wall, the vivid fragment, focusing, in a precise regard, on a second skin, the sentimental upbringing and temptation. So, we vibrate the organ of vision through secondary lens, realizing how experience prints the skin and becomes part of it and of how, in a moment of fairness, women consider, from the beginning or at last, knowledge as a possibility.

The counterpoint is repeated after, with a small statue of Virgin Mary, facing the photograph of a woman, or a man, covered by a laced bedspread. Mide Plácido aims to question the role of the woman, here, in our time, as well as in ancient ones, the ones where the Mosteiro de Santa Clara-a-Velha was built.   A special reference should be made to the fact that the monastery was, during a large period of time, threatened by the Knights of the Cross who opposed its construction that was sponsored successfully by Queen Isabel of Portugal, made Holy by the people and the Pope. Widow of King Dinis of Portugal, Isabel of Aragon would chose to settle court in Paços de Santa Clara, where the monastery came to shelter the Order of the Poor Clares, even if the queen herself never took the vows, nevertheless wearing the habit and adopting the frugal way of living according to the Order.

What has changed? Find the differences. In effect, woman, such as said by Adrienne Rich, express themselves, essentially through the body in a policy of precise location. Such perspective will relate to a historic inheritance of some importance, the vanishing point of the immanence in which they were placed, or were often placed. . Considering that we live in a time where we are a point of arrival rather than an end, in which one undertakes infinite evaluations, it is understandable that we find the feminine in a sort of entrenchment of the body, as if all the secular energy imploded in the self.

Therefore, it is as if women, generically, had 'swollen' a time machine and intended to gravitate around Time although historical time had left so may forgotten hours of the feminine. The navel of History is not built by us. We are born to know, only later, what we are told, nothing more. However, it is as if women are to dance on the navel of History, in order to reveal and transfigure Time. And to invite men. Maria Gabriela Liansol warns us that, until today, relationships between men and women were mostly based on crime and servitude. It is up to us to be conscient of that.'

Cláudia Ferreira, 2016

(Tradução: Maria Clara Maia)

Note: a first version of this text was published on Mutante Art, Culture & Lifestyle Magazine.

http://mutante.pt/2016/06/ideias-inquietas-e-materia-agridoce-mide-placido/#.WRv62lPytE4